Brasil ganha importância na estratégia da RIM
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O nosso leitor de Brasilia - Fabio Augusto Andrade, nos informa de uma matéria interessante no site TELECOM ONLINE, onde Moacyr Queirolo - Gerente de vendas da RIM fala sobre a importância do mercado brasileiro para a fabricante canadense dos dispositivos BlackBerry, leia abaixo:
A RIM mais do que dobrou o número de pessoas na operação brasileira em 2008. A aposta da companhia no país reflete o sucesso nas vendas de seu principal produto, o Blackberry.
A empresa também intensificou as parcerias com as operadoras brasileiras e aumentou o número de desenvolvedores locais de aplicativos. Para Moacyr Queirolo, gerente de vendas da RIM, o Brasil ainda oferece muito espaço para crescer e nem a crise mundial deve frear as vendas do Blackberry.
Ele aposta na adoção da mobilidade como aliada na busca por mais eficiência e redução de custos.
E não é apenas entre os clientes corporativos que o Blackberry ganha espaço. A penetração do aparelho é crescente entre os usuários finais.
Queirolo destaca que a oferta de aparelhos cada vez mais atraentes, com flip e tela sensível ao toque, tem ajudado nesta estratégia.
A chegada de novos competidores, como a HTC e a Apple, não assusta. Segundo ele, isso obriga a RIM a ficar mais atenta ao mercado e contribui para mostrar atributos que o consumidor valoriza. Acompanhe a íntegra da entrevista.
Por Marineide Marques
Telecom Online - A RIM tem anunciado frequentes contratações para o Brasil e para a América Latina. Por que a região vem ganhando importância na estratégia da companhia?
Moacyr Queirolo - A RIM atingiu a marca de 12 mil funcionários ao final de 2008. Só em 2008 foram contratados 4 mil funcionários em todo o mundo. O Blackberry é uma solução da qual o mercado estava muito carente, porque juntou a internet e a mobilidade, que são os dois pilares deste século em termos de inovação. Eu diria que os pilares comportamentais deste século estão baseados nisso: no acesso irrestrito à informação e na mobilidade. Ao se juntar isso num mesmo aparelho, viu-se o boom mundial que foi o sucesso do Blackberry, inicialmente no mercado corporativo, mas agora partindo para o mercado de consumidor final. Neste cenário, a América Latina, e o Brasil em especial, estão nos planos da RIM.
Telecom Online - A operação brasileira tem quantas pessoas hoje?Queirolo - Estamos por volta de 25 pessoas. Em 2007 éramos menos de dez pessoas. Ainda assim, são poucas pessoas para tocar um negócio tão grande, mas isso é possível graças às parcerias com as operadoras. Elas são a mola mestra para o negócio.
Telecom Online - Qual a curva de adoção do Blackberry no Brasil?
Queirolo - A RIM não divulga dados regionais. Ao final de 2008, eram 21 milhões de clientes em todo o mundo e a proporção é 70% do mercado concentrado nos Estados Unidos. Os outros 30% estão no restante do mundo.
Telecom Online - A taxa de adoção no Brasil é maior do que em outras regiões?Queirolo - Na Europa, o produto chegou em 2000. No Brasil, é muito mais recente, motivo pelo qual o crescimento segue a passos largos. O crescimento é significativo e a aposta da RIM na América Latina reflete isso.
Telecom Online - A crescente adoção do Blackberry pelo usuário final não corporativo pode alterar a estratégia de venda somente por meio das operadoras? O fato de as operadoras estarem se afastando cada vez mais da venda de aparelhos não limita essa estratégia?
Queirolo - Em time que está ganhando não se mexe. Estamos muito satisfeitos com o trabalho conjunto com as operadoras. Quanto à saída das operadoras da venda de aparelhos, entendemos que o Blackberry é o grande diferencial. Não se trata de um aparelho. O Blackberry é uma solução ponto-a-ponto, que é exatamente onde as operadoras estão buscando receita. Elas querem vender solução para o cliente final. Não querem vender aparelho como se fosse uma padaria. E é justamente isso que o Blackberry proporciona, porque ele oferece a solução completa, desde o aplicativo até a infraestrutura. E estamos chegando ao mercado com aparelhos cada vez mais atraentes, com flip e touch, por exemplo. O modelo de negócios em parceria com as operadoras tem se mostrado vencedor. A RIM tem 400 operadoras em mais de 150 países trabalhando com este modelo. E os competidores estão indo para este tipo de parceria justamente porque viram que ele é um bom negócio. Nós compartilhamos o cliente com a operadora.
Telecom Online - Falando em competidores, há uma série de concorrentes neste mercado hoje. Como se destacar?Queirolo - Toda concorrência é muito bem vinda porque te obriga a não se acomodar. A idéia é ficarmos sempre atentos ao mercado, e a chegada de novos competidores nos mostra também outros atributos aos quais o consumidor valoriza. Percebemos que dificilmente o Blackberry é substituído. A pessoa pode passar a ter mais de um aparelho, mas dificilmente deixa o Blackberry. No mercado corporativo, principalmente, temos uma série de especificações de segurança que nos dão um posicionamento muito forte. Sabemos que existe um forte apelo para multimídia, por exemplo, como mostrou o iPhone. Começamos a implementar isso em nossos aparelhos a partir de alguns modelos mais recentes. Com isso, o Blackberry passa a ser uma solução completa e o cliente não o abandona mais no final de semana, quando poderia trocá-lo por outro com mais apelo para música ou vídeo. Quem ganha com isso é a operadora.
Telecom Online - Existe alguma pesquisa que comprove que o usuário do Blackberry usa mais serviços de dados do que os outros?Queirolo - Não tenho essa informação, mas percebemos que há vários perfis de clientes. Há aqueles que recebem os e-mails e os respondem pelo próprio aparelho e outros que recebem os e-mails, mas retornam ligações para resolver o problema. Dessa forma, o usuário do Blackberry acaba também falando mais ao telefone do que o usuário de um celular normal, porque ele recebe muita informação em trânsito.
Telecom Online - Qual a sua avaliação quanto ao atual estágio de adoção da mobilidade entre as empresas brasileiras?
Queirolo - O Brasil assimilou inovações de uma maneira muito rápida, mas ainda há espaço para avançar. Entre as pequenas e médias empresas, por exemplo, há muito espaço para crescermos, e está comprovado que a saúde financeira de qualquer país está nas pequenas e médias empresas.
Telecom Online - Algumas projeções indicam que o mercado de terminais mais sofisticados pode ser mais prejudicado com a crise mundial. Qual a estratégia para o cenário adverso?
Queirolo - Não acredito num impacto muito grande, porque nos momentos de crise é preciso ser mais eficiente. Todas as empresas buscam isso. É preciso reduzir custos e a mobilidade ganha mais importância como ferramenta de trabalho e busca por eficiência. É um momento muito oportuno para a RIM porque o Blackberry é a ferramenta ideal para se conseguir isso.
Telecom Online - Como está a parceria com os desenvolvedores locais? Eram dez no ano passado. Esse número aumentou?
Queirolo - Praticamente duplicamos o número de desenvolvedores de soluções no Brasil. E o mais importante: eles representam no Brasil as soluções desenvolvidas lá fora, fazendo a implantação e dando o suporte. A RIM tem mais de 1 mil desenvolvedores no mundo inteiro.
Telecom Online - A RIM chegou a dizer que estudava a produção local. Os estudos avançaram? A alta do dólar pode influenciar positivamente na decisão?
Queirolo - Eu diria que a produção local do Blackberry está cada vez mais próxima. Ainda não há uma decisão, mas o assunto não saiu da pauta da RIM.





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